domingo, 22 de julho de 2012

OLHARES SOBRE O DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL SOB AS LENTES DE ERIC ERICKSON


A personalidade humana, em princípio, desenvolve-se conforme etapas pré-determinadas na prontidão de crescimento do indivíduo, que impulsionam o desenvolvimento, o aumento da consciência a ampliação do raio das relações sociais.

 Erik Erikson



Erik Erickson elaborou um postulado sobre o desenvolvimento psicossocial, por volta da década de quarenta, que divide a existência humana em oito etapas distintas. Cada estágio se caracteriza por uma crise psicossocial, e a personalidade é modelada em função de como os seres humanos se relacionam com estas crises. Todas estas etapas, explicam padrões típicos e gerais do desenvolvimento e da personalidade.

(1) No primeiro estágio confiança versus desconfiança, que explica o primeiro ano de vida, a criança deve ser atendida em suas necessidades básicas para que ela desenvolva comportamentos otimistas em relação ao mundo. Caso contrário, ele tenderá a ter uma personalidade desconfiada.

(2) O segundo estágio, autonomia versus vergonha e dúvida, prescreve o segundo e o terceiro ano de vida. A criança deve assumir alguma responsabilidade pessoal. Se tudo ocorrer bem, o indivíduo deverá desenvolver um senso de autonomia pessoal, mas caso os pais/responsáveis não se satisfaça com os esforços da criança, ela poderá desenvolver um senso de vergonha e dúvida pessoal. É uma fase de suma importância para o desenvolvimento intrapessoal.

(3) No estágio iniciativa versus culpa, que abarca do terceiro ao sexto ano de vida, a criança começa a atuar dentro da perspectiva interpessoal na família e, caso ela apenas se preocupe com suas próprias necessidades e desejos, os parentes podem influenciar sentimentos de culpa, baixando a auto-estima. Mas caso ela se relacione bem com seus parentes, ela desenvolverá um senso de autoconfiança.

(4) No estágio diligência versus inferioridade, que vai dos seis anos até a puberdade, a criança vai além do círculo familiar, aprender a atuar socialmente na escola e na vizinhança. As crianças que atuarem efetivamente nestes ambientes, onde a produtividade é altamente valorizada, tendem a desenvolver um senso de competência.

(5) O estágio identidade versus confusão, que é o estágio da adolescência, é o momento mais importante da vida do indivíduo, pois ele descobre sua identidade a partir de suas dúvidas. Caso consiga resolver suas questões, ele assumirá um papel construtivo dentro da sociedade, mas caso não as resolva, ele tenderá a assumir atitudes delinqüentes.

(6) No intimidade versus isolamento, que é o começo da vida adulta, o indivíduo preocupa-se em tornar-se íntimo de outros. Se ocorrerem relações satisfatórias, ele tenderá a empatia à abertura, ao invés do recolhimento e da manipulação.

(7) No generatividade versus auto-absorção, que abrange o meio da vida adulta, a preocupação é o bem-estar das gerações futuras, mas ao contrário, alguns indivíduos podem buscar apenas satisfazer as próprias necessidades e desejos.

(8) O último estágio, o integridade versus desespero, representa o último período da idade adulta, se caracteriza por evitar os erros do passado e a morte que se aproxima. O indivíduo deve encontrar significado e satisfação em sua existência para não sentir amargura e ressentimento.

A importância de estudos desta natureza é o entendimento da psique humana. Embora hajam outros tratados sobre a psicologia do desenvolvimento, o importante é observarmos o mosaico complexo da personalidade e as lentes que examinam, seja a de Erickson em voga, as de Freud, a de Kohlberg, as de Roger ou Piaget.

Nosso fórum, o ensino médio regular, destaca-se por buscar incessantemente estudos e contribuições psicológicas que permitam uma análise mais esmiuçada das características adolescentes. Dentro das observações da óptica de Erickson destacamos a normalidade da turbulência juvenil, pois a crise de identidade e a construção de um modelo comportamental se conformam para estruturar a personalidade para a fase adulta.

 Na adolescência ocorrem transformações na rede humana complexa, no biológico, no físico, no psicológico, no social e no espiritual. No campo biofísico o corpo muda, pêlos aparecem, órgãos genitais se desenvolvem assumindo dimensões adultas, nesta fase, também, se determina à orientação sexual.

No campo social, as relações e as regras de convivência se determinam em função da tribo em que se vive e convive. Uma definição importante que geralmente ocorre nesta fase é a orientação profissional. Lembramos que no grupo o adolescente forma o alicerce onde é possível construir identidades em função da comunhão de gostos e percepções da realidade comuns aqueles com quem criam vínculos.

 No campo psicológico o amadurecimento cerebral permite o desenvolvimento da cognição pela abstração e hipotetização, possibilitando a construção de argumentação e a elaboração de propostas, ponto de apoio para a educação pela pesquisa como estratégia para o desenvolvimento de potencialidades e competências humanas. È importante ressaltar que o adolescente busca latentemente de forma consciente ou inconsciente contribuir para melhoria das condições de vida e por isso há crises entre as gerações, pois tendem a criticar veementemente as construções anteriores e questionar a validade, importância e abrangência das postulações sócio-culturais das gerações que lhes precedem.

No campo espiritual há uma busca interior, da auto-realização, da busca do próprio eu. Geralmente, nesta fase há, também, busca pela identidade religiosa que nem sempre está ligada a opção da família, em face de transgressão natural a esta fase etária e, ainda, pelo interesse ao desconhecido, pela necessidade do descortinar os mistérios ocultos. Por isso, alguns adolescentes chegam a se envolver com práticas religiosas e seitas obscuras.

O que é necessário entender no comportamento adolescente no pentagrama de sua existência é que a rebeldia faz parte da natureza, ela conforma a própria independência e autonomia intelectual. Portanto, o que o jovem adolescente precisa é de liberdade, porém parametrizada por limites, pois a vida em sociedade é precedida em regras sociais, algumas empíricas e outras racionalizadas na forma da legislação do código civil. O importante é destacar a dualidade e os antagonismos existentes em qualquer via, pois devemos lembrar que a gente constrói a própria estrada depois ela se torna nosso caminho. Somos resultado de nossas próprias ações e tudo que fizermos na teia de nossas relações interpessoais interfere de nossas próprias vidas.

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