A personalidade
humana, em princípio, desenvolve-se conforme etapas pré-determinadas na prontidão
de crescimento do indivíduo, que impulsionam o desenvolvimento, o aumento da
consciência a ampliação do raio das relações sociais.
Erik Erikson
Erik Erickson elaborou um postulado sobre o desenvolvimento psicossocial,
por volta da década de quarenta, que divide a existência humana em oito etapas
distintas. Cada estágio se caracteriza por uma crise psicossocial, e a
personalidade é modelada em função de como os seres humanos se relacionam com
estas crises. Todas estas etapas, explicam padrões típicos e gerais do
desenvolvimento e da personalidade.
(1) No primeiro estágio confiança
versus desconfiança, que explica o primeiro ano de vida, a criança deve ser
atendida em suas necessidades básicas para que ela desenvolva comportamentos
otimistas em relação ao mundo. Caso contrário, ele tenderá a ter uma
personalidade desconfiada.
(2) O segundo estágio, autonomia
versus vergonha e dúvida, prescreve o segundo e o terceiro ano de vida. A
criança deve assumir alguma responsabilidade pessoal. Se tudo ocorrer bem, o
indivíduo deverá desenvolver um senso de autonomia pessoal, mas caso os
pais/responsáveis não se satisfaça com os esforços da criança, ela poderá
desenvolver um senso de vergonha e dúvida pessoal. É uma fase de suma
importância para o desenvolvimento intrapessoal.
(3) No estágio iniciativa versus
culpa, que abarca do terceiro ao sexto ano de vida, a criança começa a
atuar dentro da perspectiva interpessoal na família e, caso ela apenas se
preocupe com suas próprias necessidades e desejos, os parentes podem
influenciar sentimentos de culpa, baixando a auto-estima. Mas caso ela se
relacione bem com seus parentes, ela desenvolverá um senso de autoconfiança.
(4) No estágio diligência versus
inferioridade, que vai dos seis anos até a puberdade, a criança vai além do
círculo familiar, aprender a atuar socialmente na escola e na vizinhança. As
crianças que atuarem efetivamente nestes ambientes, onde a produtividade é
altamente valorizada, tendem a desenvolver um senso de competência.
(5) O estágio identidade versus
confusão, que é o estágio da adolescência, é o momento mais importante da
vida do indivíduo, pois ele descobre sua identidade a partir de suas dúvidas.
Caso consiga resolver suas questões, ele assumirá um papel construtivo dentro
da sociedade, mas caso não as resolva, ele tenderá a assumir atitudes
delinqüentes.
(6) No intimidade versus
isolamento, que é o começo da vida adulta, o indivíduo preocupa-se em
tornar-se íntimo de outros. Se ocorrerem relações satisfatórias, ele tenderá a
empatia à abertura, ao invés do recolhimento e da manipulação.
(7) No generatividade versus
auto-absorção, que abrange o meio da vida adulta, a preocupação é o
bem-estar das gerações futuras, mas ao contrário, alguns indivíduos podem
buscar apenas satisfazer as próprias necessidades e desejos.
(8) O último estágio, o integridade
versus desespero, representa o último período da idade adulta, se
caracteriza por evitar os erros do passado e a morte que se aproxima. O
indivíduo deve encontrar significado e satisfação em sua existência para não
sentir amargura e ressentimento.
A importância de estudos desta natureza é o entendimento da psique
humana. Embora hajam outros tratados sobre a psicologia do desenvolvimento, o
importante é observarmos o mosaico complexo da personalidade e as lentes que
examinam, seja a de Erickson em voga, as de Freud, a de Kohlberg, as de Roger
ou Piaget.
Nosso fórum, o ensino médio regular, destaca-se por buscar
incessantemente estudos e contribuições psicológicas que permitam uma análise
mais esmiuçada das características adolescentes. Dentro das observações da
óptica de Erickson destacamos a normalidade da turbulência juvenil, pois a
crise de identidade e a construção de um modelo comportamental se conformam
para estruturar a personalidade para a fase adulta.
Na adolescência ocorrem
transformações na rede humana complexa, no biológico, no físico, no
psicológico, no social e no espiritual. No campo biofísico o corpo muda, pêlos
aparecem, órgãos genitais se desenvolvem assumindo dimensões adultas, nesta fase,
também, se determina à orientação sexual.
No campo social, as relações e as regras de convivência se determinam em
função da tribo em que se vive e convive. Uma definição importante que
geralmente ocorre nesta fase é a orientação profissional. Lembramos que no
grupo o adolescente forma o alicerce onde é possível construir identidades em
função da comunhão de gostos e percepções da realidade comuns aqueles com quem criam
vínculos.
No campo psicológico o
amadurecimento cerebral permite o desenvolvimento da cognição pela abstração e
hipotetização, possibilitando a construção de argumentação e a elaboração de
propostas, ponto de apoio para a educação pela pesquisa como estratégia para o
desenvolvimento de potencialidades e competências humanas. È importante
ressaltar que o adolescente busca latentemente de forma consciente ou
inconsciente contribuir para melhoria das condições de vida e por isso há
crises entre as gerações, pois tendem a criticar veementemente as construções
anteriores e questionar a validade, importância e abrangência das postulações
sócio-culturais das gerações que lhes precedem.
No campo espiritual há uma busca interior, da auto-realização, da busca
do próprio eu. Geralmente, nesta fase há, também, busca pela identidade
religiosa que nem sempre está ligada a opção da família, em face de
transgressão natural a esta fase etária e, ainda, pelo interesse ao
desconhecido, pela necessidade do descortinar os mistérios ocultos. Por isso,
alguns adolescentes chegam a se envolver com práticas religiosas e seitas
obscuras.
O que é necessário entender no comportamento adolescente no pentagrama de
sua existência é que a rebeldia faz parte da natureza, ela conforma a própria
independência e autonomia intelectual. Portanto, o que o jovem adolescente precisa
é de liberdade, porém parametrizada por limites, pois a vida em sociedade é
precedida em regras sociais, algumas empíricas e outras racionalizadas na forma
da legislação do código civil. O importante é destacar a dualidade e os
antagonismos existentes em qualquer via, pois devemos lembrar que a gente
constrói a própria estrada depois ela se torna nosso caminho. Somos resultado
de nossas próprias ações e tudo que fizermos na teia de nossas relações
interpessoais interfere de nossas próprias vidas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário