Por Prof Ms Jorge
Ricardo Menezes da Silva
Aprendi
na sexta série do primeiro grau, com a professora Edilene Siqueira, na Escola Municipal
Dr José Antonio Ciraudo, que os patos possuem uma glândula sebácea - A glândula
uropigiana, um órgão localizado sobre o uropígio das aves (região da cauda) que
secreta uma substância oleosa utilizada como impermeabilizante para as penas. O
espalhamento do óleo pelo corpo é feito pela própria ave, que o faz com o bico.
Lendo
os pré-socráticos, quando em busca de maturidade intelectual, encontrei em
Heráclito de Éfeso:
“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra
novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.
Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos.
Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os
contrários”.
Por
vezes em sala de aula, em minhas observações sobre o comportamento adolescente
e a direção do olhar de cada uma deles, parece-me que muitos por não terem
objetivos claros de sua existência ,não têm foco para tudo aquilo que
disseminamos. Passaram a secreção uropigiana sobre seus sentidos e o
processamento auditivo, cinestésico e visual para a aprendizagem ficam “afetados”.
Uma vez afetados, a lesão da “construção dos conhecimentos” pode ser seriamente
comprometida e com isso as competências do educando acometidas.
Em
função desta impermeabilização cognitiva, atravessam os rios da cultura, das
ciências e tecnologias, das humanidades, das linguagens e não se molham, não
mergulham nos saberes, não se impregnam de ideias.
Por
ser educador e professor de “gente”, isso me incomoda, e incomodado sou um
incômodo – afinal “tirar da zona de conforto” é educar e para tanto a "tensão
entre os opostos" é substancial e necessária – estamos aí...
