quinta-feira, 18 de maio de 2017

Uma metáfora à sala de aula


Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva

Aprendi na sexta série do primeiro grau, com a professora Edilene Siqueira, na Escola Municipal Dr José Antonio Ciraudo, que os patos possuem uma glândula sebácea - A glândula uropigiana, um órgão localizado sobre o uropígio das aves (região da cauda) que secreta uma substância oleosa utilizada como impermeabilizante para as penas. O espalhamento do óleo pelo corpo é feito pela própria ave, que o faz com o bico.
Lendo os pré-socráticos, quando em busca de maturidade intelectual, encontrei em Heráclito de Éfeso:
“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários”.
Por vezes em sala de aula, em minhas observações sobre o comportamento adolescente e a direção do olhar de cada uma deles, parece-me que muitos por não terem objetivos claros de sua existência ,não têm foco para tudo aquilo que disseminamos. Passaram a secreção uropigiana sobre seus sentidos e o processamento auditivo, cinestésico e visual para a aprendizagem ficam “afetados”. Uma vez afetados, a lesão da “construção dos conhecimentos” pode ser seriamente comprometida e com isso as competências do educando acometidas.
Em função desta impermeabilização cognitiva, atravessam os rios da cultura, das ciências e tecnologias, das humanidades, das linguagens e não se molham, não mergulham nos saberes, não se impregnam de ideias.

Por ser educador e professor de “gente”, isso me incomoda, e incomodado sou um incômodo – afinal “tirar da zona de conforto” é educar e para tanto a "tensão entre os opostos" é substancial e necessária – estamos aí...

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