segunda-feira, 7 de abril de 2014

OLHARES SOBRE O PROTAGONISMO NA EDUCAÇÃO


Por  Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva

A responsabilidade social, em uma análise do significado das palavras, poder-se-ia afirmar que se refere ao compromisso coletivo assumido pela sociedade organizada em função dos hiatos sociais que excluem pessoas e as deixam a margem desta mesma sociedade.
A educação, como instrumento de inclusão social, deve assumir papel significativo atuando em perspectivas holísticas que permitam ao educando sua politização de modo a conduzi-lo a uma  postura cidadã crítica e participativa.
Neste sentido Morin postula que simultaneamente o todo é mais e menos que a soma entre as partes. Esta relação dialógica nos conduz a crença que os atores intervenientes nos processos sociais, dependendo das posturas assumidas, podem contribuir ou não  para minimizar os efeitos de fenômenos sociais excludentes.
Esta mudança de postura exige um novo ou renovado tratamento de educação. Uma educação voltada para hábitos e atitudes, uma educação voltada para práticas sociais, uma educação voltada para o protagonismo, uma educação voltada para o saber fazer, para formação do homo faber, uma educação voltada para o saber viver e conviver, para formação do homo socius.
A construção dialógica do homo faber que se conforma na relação interativa entre as partes constituintes de um sistema. De forma mais clara, todas as partes de um sistema, complementares, antagônicas ou concorrentes, contribuem para a harmonizar o  equilíbrio  complexo das estruturas laborais.
Tem-se impelido o meio acadêmico e educacional de assumirem um compromisso mais estreito com a formação consciente do cidadão no que se refere as competências atitudinais conduzindo a juventude ao pensar e ao agir na perspectiva do protagonismo junto aos problemas sociais, econômicos e ambientais.
O desenvolvimento de ações educativas dirigidas ao envolvimento espontâneo em mecanismos de transformação social por meio de estratégias de aprendizagem dialéticas, construídas por meio de atividades de campo, tendo como viés a metodologia científica conduzem  a uma forma de se produzir estabilidade entre a ação e a reflexão.
Esta pesquisa participativa congrega a comunidade escolar a compreender  as questões cotidianas como um fenômeno social, a enfrentar as situações-problema tecidas pelo conjunto de atividades humanas e seus pontos de equilíbrio e de desequilíbrio, a construção de argumentações que expliquem e/ou justifiquem os conflitos sócio-ambientais, vividos pela comunidade, a elaborar propostas de intervenção na realidade, gerando conhecimento e sistematizando a experiência.
De acordo com as postulações de Escámez & Gil, a responsabilidade é aquela qualidade da ação que possibilita que se possa demandar às pessoas que ajam moralmente. Nesta perspectiva, se conjectura que esta qualidade atitudinal é uma construção histórica desenvolvida por cada ser humano no campo pessoal e social, numa relação intrapessoal e interpessoal, da pessoa consigo mesmo e com o outro.
A responsabilidade é uma dimensão ética da personalidade e possui conexão com a formação da postura cidadã, que implica a participação com a vida pública, com a politização, com a transformação social.
A hominização, revelada como construção do homo socius, que se expressa pela transformação do comportamento animal em comportamento racional  e emocional evolutivo, se estrutura em função de uma educação  alicerçada em princípios éticos e que disponha de tratamento sistêmico tecendo condutas, posturas, hábitos e atitudes com vocação e apelo para coletividade.
Em face de todas as premissas anteriormente apresentadas, pontuamos que o protagonismo na educação é agente que contribui para a construção de identidade cidadã, autonomia intelectual e moral, comportamento ético balizado no respeito a diversidade e a pluralidade de idéias, formação de atitudes virtuosas, quesitos necessários ao ser humano do século XXI.
O desenvolvimento do protagonismo exige por parte do educador uma postura pró-ativa uma vez que dele se exige operações cognitivas balizadas na dialética instaurando o clima cívico participativo na sala de aula, proporcionando um cenário democrático e não autocrático de gestão da disciplina e dos saberes disseminados.

Por todas as razões apresentadas, assumimos como premissa educativa a pedagogia por projetos de trabalho, por se tratar de um roteiro que valoriza a participação do educando na leitura de mundo contribuindo com os indivíduos e grupos sociais no sentido de desenvolverem senso de responsabilidade e de urgência com relação aos problemas para assegurar a ação apropriada para solucioná-los. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário