Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva
No contexto dos embates que se travam hoje na sociedade brasileira na busca de romper com todas as formas de exclusão social e, nos interstícios das possibilidades concretas de constituir-se um industrialismo de um novo tipo e processos educativos não imediatistas que concorram para formação omnilateral e, portanto, para os processos de emancipação humana a busca do sentido radical de escola unitária, no plano do conhecimento e no plano político-organizativo, é fundamental.
Gaudêncio Frigotto
Rio de Janeiro, setembro de 2009. Diariamente a mídia, nas vertentes escrita, falada e televisada põem em sua pauta o desenvolvimento econômico de nosso estado. Ficam em evidência a potencial industrialização da zona oeste da cidade, assim como as cidades vizinhas: Itaguaí, Seropédica, Mangaratiba, Nova Iguaçu.
Além de Thyssen Krupp – CSA, temos a Vale na Ilha de Guaíba, o Porto de Itaguaí, as instalações portuárias da Usiminas, o arco rodoviário, a ampliação da Gerdau-Cosigua, a base terrestre do pré-sal da Petrobras.
A industrialização está de vento em popa, o emprego em qualidade e quantidade, também. O problema reside na orbe social, com a inclusão das pessoas residentes na região nas empresas. Hoje a exigência mínima para que as pessoas atuem nas grandes empresas em funções operacionais é a conclusão do ensino médio.
O fato é que muitas pessoas que moram nesta região não dispõem deste nível de ensino. A maioria que dispõe da etapa imediatamente anterior, o ensino fundamental completo, são analfabetos funcionais, isto é, são pessoas que embora tenham o certificado do ensino fundamental, não gozam de competências cognitivas mínimas estabelecidas para os concludentes desta etapa. A grande maioria lê com dificuldades, se atrapalham com a interpretação de textos simples e não são capazes de realizar operações aritméticas com números reais.
Se por um lado a qualificação educacional da população é um dos gargalos do processo, outro reside na capacitação docente para dar conta das demandas e exigências educacionais do momento sócio-histórico. A escola, como instituição do estado, está a margem do processos sociais. Não participa das discussões, a grande maioria é uma marionete das políticas na educação e não de uma política de estado para a educação.
O resultado deste fenômeno é a acentuação crônica da exclusão social. A educação pede socorro, agoniza em sua função social de permitir ao educando sua ascensão e como o dito “poder paralelo” se mostra mais eficiente e “mais poderoso”, pelo exercício da coerção, a sociedade perde sua batalha diária. De que adianta ter escolaridade se esta não garante minha inclusão pelo emprego, que me trará dignidade?
Precisamos salvar a escola, dispor de políticas públicas sérias que possibilitem as pessoas retornar aos bancos escolares a fim de que a reeducação escolar ocorra nas esferas cognitiva, atitudinal e procedimental.
Este é um compromisso. Dispor de uma escola unitária onde se desenvolva o sapiens e o faber, onde a intelectualidade e a motricidade humanas estejam em comunhão.
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