Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva
“PENSAR É PROCURAR POR SI MESMO, É CRITICAR LIVREMENTE E É DEMONSTRAR DE MANEIRA AUTÔNOMA. O PENSAMENTO SUPÕE, PORTANTO, O LIVRE JOGO DAS FUNÇÕES INTELECTUAIS, E NÃO O TRABALHO SOB COERÇÃO E A REPETIÇÃO VERBAL”.
Jean Piaget
É preciso, salutar e necessário superar estratégias de ensino que valorizem exclusivamente a memorização. Refiro-me a memorização como um instrumento bancário, verdadeiros “depósitos” de conteúdos que implicam na edificação de saberes que sem alicerce, que se perdem em si próprios. Perdem-se em si próprios pela inexistência de contextos e interpretações com a realidade do educando. Sem contexto não cria afetividade, não afeta, não tem vínculos, não proporciona o saber fazer, o saber ser, o saber viver e o saber conviver.
Esta é uma perspectiva que a educação atual tem de nocividade, uma geração de reprodutivistas, que mal conseguem responder as singularidades de questões conceituais e procedimentos mecanicistas. Se algo esta fora do esquema convencional de leitura de fatos e dados não cria conectividade, e como este educando é de fato um “aluno” na etimologia do termo, um sem luz, precisa de um professor para iluminá-lo, como se este fosse o detentor do saber, doce ilusão proposta pelos ambientalistas.
Outra perspectiva é o olhar sobre os estilos de aprendizagem. De que forma os educandos constroem o conhecimento. Parece ser algo subjetivo e inconstante, sem fundamentação, para mentes reducionistas e pensamentos fragmentados. Provavelmente, este seja um caminho extremamente interessante a ser percorrido pelos professores que queiram ser de fato educadores.
Face ao referencial piagetiano e aos esquemas de aprendizagem propostos por ele podemos postular que a partir de um desequilíbrio nos esquemas cognitivos é possível provocar a aprendizagem. Isto mesmo é uma provocação que nos tira da zona de conforto, que estimula. Ora, não é nos estímulos que devemos atuar? Como alegoria a este pensamento trago a narrativa de Rubem Alves:
Eu era pequeno. Na casa do vizinho havia uma árvore carregada de frutinhas vermelhas, pitangas. Fiquei sonhando comê-las. Mas elas estavam do outro lado do muro, longe das minhas mãos. Aí o meu desejo chamou a Inteligência e lhe disse: "Diga-me o que fazer para comer as pitangas!" A Inteligência obedeceu e me disse: "É fácil. Basta que você construa uma maquineta de roubar pitangas. Uma maquineta de roubar pitangas se faz assim. Primeiro, é preciso encompridar o seu braço. Para isso use um cabo de vassoura. Mas um braço comprido não basta. É preciso colocar uma mãozinha na ponta. Amarre uma lata de massa de tomates vazia na ponta do cabo de vassoura. E faça um dente na lata, para prender a pitanga..." Foi o que eu fiz. E roubei e comi todas as pitangas que queria. Primeiro foi o Sonho. Depois a Inteligência... Os Sonhos fazem pensar.
Fica, então entendido que a “inteligência” é mobilizada em face de uma motivação. Qual a motivação existente em nossas aulas de modo a provocar a inteligência na busca de soluções para problemas cotidianos? Quais são os sonhos que provocam o pensamento em nossas aulas? Questões pertinentes, vocês não acham?
Na linha de como nossos cognoscentes fazem a leitura de mundo é preciso concretizar aulas que privilegiem os múltiplos estilos de leitura dos educandos. Se são visuais, auditivos ou cinestésicos. Os visuais atuam obviamente vendo, sendo capaz de fazer uma imagem imediata do que está recebendo como informação. Os auditivos ouvindo, sendo capaz de montar uma história com a informação que está recebendo. Os cinestésicos fazendo ou executando, sendo capaz de guiar-se pela experiência tátil-motora, interagindo com o meio e com outrem.
Para ampliar as possibilidades de um ensino mais sistêmico e capaz de agregar valor aos diferentes estilos de leitura de mundo, seguem abaixo algumas “receitas” de como atuar para atingir os diferentes públicos presentes na sala de aula:
· Visuais: apresente resumos usando anotações, tabelas, esquemas, desenhos, fluxogramas, gráficos e outros recursos parecidos; Utilize gestos marcantes, pois o modo como ensina (na hora de lembrar sobre determinado assunto), ajuda na visualização o modo como foi passada a informação.
· Auditivos: Efetue leituras dos conteúdos de forma dialética; confronte os pontos de vista; estimule a discussão dos conteúdos; conte estórias, vincule os conteúdos a questões cotidianas que afetem o educando.
· Cinestésicos: ministrem aulas dinamicamente, com alternações de voz, que façam movimentos com os braços, andam para lá e para cá, escrevem no quadro enfim, tudo o que tenha relação com movimento, alternância. Faça experiências práticas sobre o assunto, pesquisas, exercícios, atividades em laboratório.
Outros aspectos relevantes existem, mas que tal iniciarmos um olhar, e inclinarmos nossas energias para outros focos que mobilizem a aprendizagem, afinal de contas, uma jornada começa com o primeiro passo, como diria Lao –Tse.
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