quarta-feira, 28 de julho de 2010

OLHARES SOBRE JUNG NO COTIDIANO ESCOLAR

Por Prof Ms Jorge Ricardo Menezes da Silva

Nos estudos sobre a psique humana Jung está para Freud, assim como Vygotsky está para Piaget nos estudos sobre a cognição humana. Portanto, suas teorias são por vezes complementares, por vezes antagônicas, por vezes paralelas e por vezes transversais.
Não há como entender o desenvolvimento humano e os mecanismos que congregam o funcionamento da mente e suas implicações na aprendizagem sem mergulhar no fascinante e sedutor mundo da psicologia analítica de Jung, nas postulações do desenvolvimento psicossexual de Freud e, ainda, na doutrina da psicologia individual defendida por Adler, que nos proporemos em analisar em outra oportunidade.
O cenário estabelecido por Jung parte da premissa que se configuram quatro funções psicológicas fundamentais: o pensamento, o sentimento, a sensação e a intuição. Estas funções formam uma teia inter-relacional, visto que o olhar junguiano é uma visão holística e sistêmica.
O pensamento está conectado com a verdade, com avaliações provenientes de parâmetros onde imperam a impessoalidade, a lógica e racionalismo. O sentimento se alicerça na orientação emocional na tomada de decisões. A sensação se constrói pela percepção visual, auditiva ou cinestésica da realidade. A intuição considera relevante o processamento das informações em função de processos inconscientes construídos pela experiência e por objetivos futuros.
Para Jung, a singularidade de cada indivíduo se constitui neste aspecto porque cada um de nós somos o que somos devido a forma em que nossas funções psicológicas se nutrem e manifestam. Cada ser humano tem uma função dominante e uma outra auxiliar bem desenvolvida, se tornando latentes no comportamento humano apresentado pelo ser. Outras duas funções se comportam como “recessivas” e se manifestam no inconsciente. Face às considerações que esta inconsciência ser uma herança biológica e psicológica, este fato aproxima Jung das teorias inatistas.
O pensamento e o sentimento são racionais por natureza porque são mobilizadas pela abstração e pelo raciocínio. Já a sensação e a intuição são empíricas porque partem da experiência e da experimentação para mobilização dos esquemas mentais e ações humanas.
A importância e relevância destes estudos para o exercício docente são compreendermos que a mente humana, o elemento psicológico, um dentre os cinco parâmetros propostos por Edgar Morin, tem dimensões que precisamos nos ater de modo a produzirmos um ensino onde o objetivo maior, que é a aprendizagem, de fato ocorra, respeitando as características individuais.
Esta inquietação, no meu humilde ponto de vista, é algo que tem mobilizado e tirado da zona de conforto educadores que se preocupam com a educação e sua concretização. Dentro de nosso fórum de atuação, que é a educação básica, ficam as perguntas: Na concepção junguiana, qual a minha função psicológica superior e minha função psicológica inferior? Conhecendo a função psicológica superior e inferior de meus alunos eu conseguirei ter uma atuação mais eficiente ou isto é uma conversa de gente que pensa demais e age de menos? Sei lá...

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